quinta-feira, julho 09, 2009

O caso Claudia Lessin Rodrigues - o jornalismo positivo


O caso Claudia Lessin Rodrigues
fonte: Revista Veja 07/09/1977

A morte de Claudia Lessin Rodrigues deixou o país inteiro estarrecido. Em julho de 1977, o corpo da moça foi encontrado próximo à praia do Leblon, no Rio de Janeiro. Ela havia sido atirada dos penhascos da Avenida Niemeyer, dentro de um saco plástico cheio de pedras. Apontado como suspeito, o milionário Michel Frank negava ter ligação com o crime. VEJA revelou que, na noite em que morreu, Claudia participara de uma orgia animada com cocaína na casa de Frank. O rapaz confessara a um médico – entrevistado por VEJA – que vira a moça morrer de overdose e, descontrolado, tentara sumir com o corpo, jogando-o ao mar. Frank acabaria fugindo para a Suíça, onde foi morto em 1989.

Com esta reportagem o jornalista Valério Meinel recebeu o prêmio esso de jornalismo de 1977


CLÁUDIA LESSIN: CASO INESQUECÍVEL
trecho retirado da reportagem "A maldição da Niemeyer" de Renato Fernandes para a revista Joyce Pascowitch

A história da avenida Niemeyer começou em 1891, quando a Cia. Viação Férrea Sapucaí esboçou na encosta do Morro Dois Irmãos, 35 metros acima do nível do mar, o traçado da futura avenida. Por volta de 1930 ela se tornou o primeiro circuito automobilístico do Rio, conhecido também como Circuito do Diabo.

E desde o início – até os dias de hoje – a avenida nunca teve um crime mais hediondo do que o envolvendo a jovem Cláudia Lessin Rodrigues, jogada por dois suspeitos homens que frequentavam o hi-society carioca: Michel Frank, filho do empresário milionário Egon Frank – leia-se relógios Mondaine, entre outros negócios – e o cabeleireiro Georges Kour, que tinha salão no hotel Le Méridien, onde escovava muitas madeixas de socialites cariocas.

O crime chocou o Brasil por mais de uma década, pelo horror e crueldade, sem limites. Acabou virando enredo de livro e filme.

O corpo de Cláudia foi encontrado nu na manhã do dia 26 de julho de 1977, no rochedo do Chapéu dos Pescadores, na Niemeyer. O rosto completamente desfigurado e o corpo amarrado por arame, preso a uma mala cheia de pedras. Cláudia tinha apenas 21 anos. Não houve mistério mais discutido pela imprensa e pelo Brasil do que a morte de Cláudia Lessin Rodrigues que, numa noite de sábado, se despediu dos pais e foi a uma festa.

Filha de um casal classe média alta, o comandante Hilton e a dona de casa Maria, Cláudia sempre teve tudo: bons princípios e educação esmerada, mas não andava nas melhores fases da vida. Enfrentava uma depressão – não conseguia esquecer um namorado que teve nos Estados Unidos – mas estava sob controle: fazia terapia e tudo mais. Já tinha usado drogas, sim, como a maioria da sua geração, mas não era viciada e, se tinha algum vício, era cultura: adorava música clássica, ler e as sessões de filmes de arte do antigo Cine Veneza. Ela morava com a família, desde criança, na rua Fernando Mendes, esquina com a avenida Atlântica, com uma bela vista para o mar. Criados com amor e em bons colégios.


A ida de Cláudia ao apartamento de Michel Frank até hoje é um mistério, porém, o mais provável é que ela teria sido convidada para uma festa, na qual encontraria Rovai. Ele não foi, e quando Cláudia chegou, a festa era de “função” ou, melhor dizendo, de “cheiração”.

Segundo o livro de Valério Meinel, Cláudia teria passado o fim de semana com os dois homens, que jogavam cartas, cheiravam cocaína, vendida por Michel aos amigos que chegavam, sem parar. Muito entra-e-sai entre uma cartada e outra. Cláudia teria ficado lá “de bobeira”, como dizem os cariocas quando não estão fazendo nada. Em compensação, Michel “comia como farinha”, como dizem no meio os que cheiram muito. Cheirava desde os 16 anos.

Foi o detetive Jamil Warwar que, 48 horas depois do crime, já havia descoberto tudo, e, em uma declaração publicada em 1986, afirma: “Houve um embalo de tóxico na casa de Frank. No dia seguinte, Frank e Kour, cheios de cocaína, caminhavam em cima da mureta da avenida Niemeyer e resolveram então estuprá-la ali mesmo. Ela resistiu, ameaçou denunciar o que vira no apartamento no dia anterior (Michel vendendo bastante pó)”. O ex-gordinho, que na adolescência não pegava nem gripe por causa da aparência, agora se firmara como um “grande” homem aspirando pó.

Segundo o que foi presumido pelo detetive Warwar, os dois, após violentá-la na própria Niemeyer, a mataram. Quando tentaram dar sumiço ao corpo, amarrado com uma mala cheia de pedras, foram vistos por um operário chamado Índio, que esclareceu o caso, como consta na revista Manchete, em reportagem publicada em 20 de dezembro de 1986.

Os laudos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli, de acordo com a mesma revista, são taxativos: afirmam que Cláudia foi morta no local, pois havia sangue sobre as pedras. Declaram também que ela morreu por asfixia mecânica – viam-se claramente as marcas dos dedos, a olho nu, em seu pescoço. O exame toxicológico mostrava que não havia usado cocaína nem qualquer outra droga.

O poder e as relações do pai de Frank falaram mais alto a ponto de Warwar ser afastado das investigações por meio de uma decisão publicada no boletim de Segurança Pública. O detetive ligou para o pai de Cláudia, dizendo: “O negócio envolve gente da alta, com muito dinheiro. O delegado Hélber Murtinho já deu a entender que vou ser substituído, mas não tem problema não. Já sei de tudo, quem matou sua filha e onde ela foi morta”.

“Quero viver além dos 90 anos para ver os assassinos da minha filha condenados”, declarou o pai.

Frank, que tinha nacionalidade suíço-brasileira, foi para Zurique e lá viveu por 12 anos. Porém, levou junto o vício. Cheirava sem parar, chegando ao extremo de alguns familiares cortarem relações com ele.

“Foi justamente a falta de relações do meu pai com o poder – ele era apenas um piloto da aviação civil – que impediu que a Justiça fosse feita. Fosse meu pai um militar naquela época de ditadura, teríamos visto certamente a condenação dos assassinos. O que vimos, ao contrário, foi o poder do dinheiro e o regime de exceção facilitando a fuga anunciada de Michel Frank e a posterior absolvição dele num julgamento fraudulento, de fachada”, afirma Márcia Rodrigues.


A imprensa não sossegou com o fato e os pais de Cláudia Lessin sempre abriram as portas a ela, pois Cláudia caiu numa grande roubada, que acabou servindo de exemplo para muitos pais desavisados.

Na Suíça, Frank acabou inocentado do assassinato de Cláudia por falta de provas consistentes da Justiça brasileira. Em 1989, ele foi encontrado morto, com seis tiros na cabeça, na garagem de seu prédio em Zurique. Seu corpo estava entre uma máquina de lavar e outra de secar. Estava envolvido com drogas até o último fio de cabelo. E por falar em cabelo, a última notícia que se teve de Georges Kour é que ele abriu um salão em Niterói.

Ele, que em 1977 era cheio de estilo, envelheceu mais de 30 anos em três atrás das grades. Foi considerado culpado pela tentativa de ocultação de cadáver. Até os descolados da bucólica Niterói desconhecem o seu salão.

Atualmente, os pais de Cláudia moram próximos à filha Márcia, que abandonou a carreira e hoje é uma das mais respeitadas designers de interiores do Rio. Ambos estão com mais de 90 anos. Já o detetive Jamil Warwar, um dos melhores do Rio, se desiludiu com a profissão e a largou.

26 comentários:

SaPaToS De LaTa disse...

punk!
foi por isso que eu lhe disse para parar com as drogas...

Intrigando! disse...

ausahsauhsah... Ok, Juro que não matarei ninguem...

arraso disse...

Muito bom,o caso é famoso mas só no seu blog conferi detalhes sobre o desfecho do caso que não pude verificar em outras fontes.Parabéns!

arraso disse...

Muito bom,o caso é famoso mas só no seu blog conferi detalhes sobre o desfecho do caso que não pude verificar em outras fontes.Parabéns!

Patricia disse...

Favinho de mel, que sua luz divinamente maravilhosa nos ilumine de onde vc estiver. Te amo, amiga!!! Saudades...

Dulce disse...

Eu tinha 7 anos na epoca desse crime. Realmente o Brasil parou estarrecido diante do fato. Lembro que a Vanuza fez uma musica de protesto sobre discriminacao e crime contra as mulheres, na qual citava o nome da Claudia Lessin. Por muitos anos esse crime foi muito falado, porem, eu nunca havia escutado o desfecho da historia. Achava que o caso havia sido dado por encerrado com a fuga de Frank. E' a primeira vez que escuto a historia completa e, imagina, sinto um conforto em saber que o misterio foi desvendado e, decadas depois, finalmente esclarecido. Grata pelo post!

marcelo lopes disse...
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marcelo lopes disse...
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marcelo lopes disse...

A verdade sempre vem á tona..Por isto eu NUNCA concordo que a corda estore p/o lado mais fraco e sim p/ olado dos injustos(mais cedo ou mais tarde).Tenho certeza que o frank viveu uma vida de merda até o fim de sua vida,e como com quem o ferro fere com o ferro será ferido foi justamente o que aconteceu... O dinheiro é muito bom más no caso do Frank só lhe trousse infelicidade... DEUS O TENHA CLAUDINHA LESSIM.........................

Elias Nogueira disse...

Muito bom o informativo, esclarecedor!

Márcio Rodrigues disse...

Eu acabei de ler sobre este caso nos arquivos da revista veja que acusa a cocaína pelo homicidio triplamente qualificado (botar a culpa na cocaína? Há milhares de crimes escabrosos nas sociedades e apenas em um ou outro há presença de drogas, o que me leva a pensar que droga não é pretexto para nada: bandidos são bandidos há pelo menos 5.000 anos de historia documentada e seus motivos são os mais diversos possíveis) nos arquivos da Folha (onde conheci o caso, matéria à época do crime), na seção grandes causa na página da OAB (que idolatra o advogado que amenizou para os bandidos, escrita por laercio pellegrini baseada em seu livro: porque georges kour foi inocentado), mas foi aqui que li o caso da forma que me parece a mais perto da real. Sobre o George Kour, na página da OAB diz que ele foi condenado a 1 ano e meio de prisão, divergindo da sua fonte, mas fico com a sua! Parabéns pelo texto e obrigado pelos esclarecimentos.

leoguerra disse...

michel frank sempre foi très elegant
um cocainomano que desvituava gas garotinhas do grand monde

leoguerra disse...
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paulo silveira disse...

lembro de todos os casos dos anos 70.
claudinha, araceli, carlinhos, a diniz, fleury, mariscot, buscetta e Lindomar Castilho (1981).
a claudinha era muito linda. pena que não há video dela no youtube. da Araceli eu coloquei dois videos que fiz quando visitei rua e tumulo dela.

Ele disse...

Araceli era uma menina,disso eu me lembro. Parece que era do Espírito Santo. No entanto, não me recordo com clarezad dos motivos que a levaram a morte.

Ele disse...

Araceli, sei que era uma menina, me parece que era do Espírito Santo. Não me recordo com clareza dos motivos que a levaram à morte. A morte dela e da Claudia Lessin foram as que me deixaram mais chocado. E a morte do delegado Fleury, mais intrigado.

Capitão Virgulino Ferreira disse...

Lembro muito bem do caso, na época tinha 18 anos porém, o clamor público foi tao latente que até hoje me recordo com das manchetes de jornais com seus mínimos detalhes, inclusive, hoje aos 52 anos, tendo uma filha de 21 anos, sempre coloco o caso Claudia como destaque para que minha filha fique atenta e alerta.
Aos familiares de Claudia, Deus abençoe vocês.

jose silva disse...

Foi bom a morte da claudia lessin rodrigues. Se eu estivesse junto deles eu teria matado a claudia com 5 tiros.

jose silva disse...

Eu queria ter matado a claudia lessin rodrigues e teria enfiado uma madeira no cu e outra madeira na boca dela e teria dado uns 10 tiros na cara dela e depois jogaria nas pedras do leblon.

angeli disse...

Favinho de mel,Gipsy,vc era um docinho,acredito que vc seja UM ANJO DE LUZ,BJSSSSS

angeli disse...

Favinho de mel,Gipsy saudades nunca te esqueci amiga !!!! bjjjjs

angeli disse...

Favinho de mel,Gipsy,vc era um docinho,acredito que vc seja UM ANJO DE LUZ,BJSSSSS

Ele disse...

acabei relendo a estória da Claudia, porque hoje faz quase 40 anos ou mais da morte da menina Araceli, do Espírito Santo. São casos dolorosos que demonstram a que ponto pode chegar a violência quando a vítima é uma pessoa do sexo feminino. Não é preconceito, não. Dê uma folheada nos casos mais famosos - Ângela Diniz, Claudia Lessin, Araceli, a mulher do Lindomar Castilho (esqueci o nome dela) Aida Cury nos anos 1960 e vai por ai afora. Parece que além de matar o assassino faz também uma espécie de ritual satânico, um exorcismo. Cruz credo, jamais gostaria de saber o que se passa no interior de uma pessoa dessa espécie.

Ronaldo Pereira da Rocha disse...
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Ronaldo Pereira da Rocha disse...
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Ronaldo Pereira da Rocha disse...
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